HOMENAGEM A RADAR (1935-1983) !!!
ESQUECIDOS DO CINEMA BRASILEIRO 1: LEOGIVILDO CORDEIRO (RADAR)
(1935-1983)
O cinema brasileiro é mesmo um grande enigma, enquanto Glauber é tese de milhares
de teses de mestrado, doutorado, estelionato...Grandes fíguras do cinema brasileiro
tão interessantes como ele, permanecem esquecidas.
Este gênio, este homem extraordinário que é RADAR, é uma espécie de mito do
cinema popular brasileiro, lenda. Nome certo em qualquer estudo do BECO DA FOME,
RADAR foi um dos maiores montadores da história do cinema brasileiro (montando
obras-primas de Mozael Silveira, Alcino Diniz, Julio Bressane, Carlos Alberto Almeida,
Élio Vieira de Araújo, Pedro Camargo, Carlos Imperial, Roberto Mauro entre outros).
Iniciando carreira de coadjuvante em chanchadas, natural de Caruaru-PE, sendo
um profissonal eclético. Foi continuísta, assistente de produção, ator, montador,
supervisor de som, roteirista e até diretor. Como definiu
o grande Luiz Felipe Miranda "Radar (...)exerceu diferentes funções (...)fez carreira
de montador, sendo o favorito dos pornochanchadeiros cariocas". Dirigiu um único
filme em 1968, SETE HOMENS VIVOS OU MORTOS, um
autêntico thiriller. Com um elenco de monstros:
JARDEL FILHO, MAURÍCIO DO VALLE (O Antônio das Mortes
de Deus e Diabo na Terra do Sol), ELIEZER GOMES,
o onipresente e seu grande amigo WILSON GREY. Este,
ganhou o prêmio de melhor ator secundário no Festival de
Cinema de São Carlos de 1969. Grey, que também foi
assistente de direção no filme, considera esta sua maior
participação no cinema, sendo que ele é o ator recordista
do cinema brasileiro fazendo mais de 200 filmes.
Essa obra-prima do BECO DA FOME, infelizmente encontra-se
perdida. Separada pelo grande REMIER LION para a mostra
MALDITOS FILMES BRASILEIROS em dezembro de 2004, a cópia
da Cinemateca Brasileira em São Paulo, apresentou defeito por
não ter som. Infelizmente, ainda esse filme não foi redescoberto.
Foi somente Julio Bressane, cineasta do Cinema Marginal que
referenciou o trabalho do grande Leogivildo, e fez ele ser seu
montador em diversos de seus filmes (“O Monstro Caraíba”,
“Agonia”, “Gigante da América”, “Tabu”, longas
e “Cinema Inocente”, média). Joaquim Pedro de Andrade
também levou Radar a participar de “Macunaíma”, participando
da cena das multidões, em frente a Bolsa de Valores.
Esse ano Radar varia 70 anos de idade. Ninguém o homenageou,
Mas mesmo assim, eu me faço correspondente dele e dos
milhares dos grandes artistas brasileiros na marginalidade
cinematográfica.
Escrito por Matheus Trunk às 22h01
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