O QUE ANDEI LENDO II
DAVID CARDOSO- PERSISTÊNCIA E PAIXÃO
Autor: Alfredo Sternheim
Coleção Aplauso do Cinema Brasileiro, 2005
Preço: nove reais
Nunca irei enganar os pobres leitores desse blog e dizer que o David Cardoso é um
gênio, um grande ator ou qualquer coisa que preste. Mas realmente, ele foi um dos mais
interessantes produtores/atores da Boca. Nem vou dizer que ele é poeta, ou um Shakespeare,
ou que o livro dele leve a grandes questionamentos da humanidade, mas sempre se tira algo dele.
O começo é muito bom, pois revela o David Cardoso jovem, fã de filmes clássicos de Hollywood, fã
de Billy Wilder, Mogambo...Revela como ele começou com o Mazzaropi (que ele diz que o
paquerou), com o WHK, entre outros. Fala sobre sua carreira, perspectivas de se fazer cinema no
Brasil, ETC. Nunca o conheci, e portanto, realmente não posso dizer se ele era um cara que fazia
tudo realmente pra comer as minas e não ligava pra cinema, ou se pelo menos tinha algum processo
criativo (???) e realmente amava o cinema, e usava a pornochanchada para se expressar (???), mas
sinceramente acho que ele está no primeiro caso, e principalmente ganhar dinheiro fácil. Mesmo assim,
o público dele nunca reclamou e ele sempre lotou as salas de cinema, sem precisar recorrer ao
Estado. A pior parte do livro (ou melhor dependendo do gosto de cada um...) é quando ele fala sobre as
personalidades que ele conheceu na vida e tirou foto, astros do cinema mundial como Allan Dellon,
Chuck Norris, Robert de Niro, Mike Tyson....E ele fala que sempre foi muito amigo do Pelé (???), mas
realmente desconfio muito. Mas a parte que ele faz uma reeleitura do cinema de retomada, realmente
é espetacular e muito bem feita. Acho que deve ter sido feita pelo Alfredinho mesmo, sem depoimento
do David. Alfredinho, eu só vi um filme (Herança dos Devassos) o que é pouco pra julgar, mas gosto
dele, afinal ele além de ser autor do Dicionário de Diretores da Boca do Lixo é de certa forma, como o
Rubens Ewald Filho, herdeiro do grande Rubem Biáfora, o mito, o figuraça, o cara que sempre lutou contra
o cinema intelectual financiado pelo Estado. Mas voltando ao David, acho ele um péssimo e ridículo ator,
mas o acho um diretor no mínimo razoável e até interessante, com alguns
[grandes momentos no cinema (Alma e Corpo de Mulher, A Noite das Taras I). Mesmo assim, este é um dos
melhores livros da coleção Aplauso, bem acima da média da coleção, vocês que perdoem, mas tirando o do
Carlão, este, o do Carlos Coimbra e mais alguns, os livros não acrescentam grande coisa, com muitos
erros de português. Mas pior escrito que eles, só mesmo este blog.
Escrito por Matheus Trunk às 00h51
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