GLOBO FILMES E A CRÍTICA

“Quem fala mal é porque tem inveja” Nelson Rodrigues
Caros amigos,
É sabido por todos da minha enorme paixão/obsessão/amor pelo cinema brasileiro. Essa coisa que acaba levando a gente a lugares e pessoas que nunca imaginamos antes. A grandeza e a riqueza do cinema brasileiro é enorme, aprendi a amar cinema e muitas coisas com ele.
Venho observando que não é de hoje que os críticos “metem pau” no cinema brasileiro que dá bilheteria. Observem o exemplo histórico:
- Há dois grandes momentos e um fenômenos na história do cinema brasileiro que houveram público, bilheteria e o cinema nacional foi de fato popular. Essa experiência ocorreu na chanchada (anos 50-início 60) e no cinema da pornochanchada (final dos anos 60- anos 70- início 80) e de modo geral no fenômeno que foi a produção cinematográfica do produtor, cineasta e ator Amacio Mazzaropi (anos 50, 60 e 70).
- Em todas essas fases, os filmes não foram bem recebidos pela crítica cinematográfica. Embora, possa-se dispensar parte das pornochanchadas que eram ás vezes mais bem vistas por críticos paulistas (como Biáfora, Sternheim por exemplo) que produções cariocas. Mas mesmo assim, mesmo que parte da crítica fosse menos preconceituosa, a gigantesca maioria não recebeu essa parte do nosso cinema de “peitos abertos”.
Podemos observar também que os dois movimentos cinematográficos tanto a chanchada como a pornochanchada são vistos até hoje por quem viveu com eles na época, coisas menores e ás vezes bobas. Dou como exemplo pessoal de observar membros da minha família como meu avô que achava “banal” as chanchadas e meu pai e meu tio, que apesar de verem as pornochanchadas como todo garoto brasileiro em sua época não os achavam grandes movimentos cinematográficos ou de grande importância.
Livre das épocas, mais distante, creio que hoje é mais fácil dar um olhar mais “simpático” a essas manifestações artísticas. Querendo bem ou mal, são partes da cinematografia brasileira que merecem ser descobertas e discutidas.
Por tudo isso, acabo achando banal essa tendência da crítica de meter pau em toda a produção da Globo Filmes que dá boa bilheteria. E se é com a Globo Filmes que iremos realmente viver mais um momento de harmonia com o público com o cinema brasileiro ? Se já não o estamos vivendo, agora mesmo ? Por isso não venho aqui dizer que qualquer filme da Globo Filmes seja uma obra-prima, um filme genial. Não. Venho somente dizer que quem tem mania de meter pau na Globo Filmes hoje, são as mesmas pessoas ou herdeiros das pessoas que tinham a mania de meter pau nas chanchadas e nas pornochanchadas. Possuem o mesmo pensamento e o mesmo sistema de pensamento. Um traço que ás vezes, as pessoas não percebem. Por isso insisto: quem mete pau hoje nos filmes de boa bilheteria da Globo Filmes com um olhar meio preconceituoso e sem vergonha é herdeiro dos críticos elitistas tipo (dando nome aos bois) Ely Azeredo (que hoje posa de entendedor de cinema) e companhia. Mas muitos desses até tem coletânea de textos. Mas o Biáfora não, além de defensor de cinema popular, anticomunista, ainda era paulista.
Mas quem acaba falando mal só por falar mal, acaba tendo inveja. Eu acho que o Glauber morria de inveja de um Mozael Silveira, de um Alcino Diniz. Pelo menos no quesito bilheteria, com certeza ele tinha. Como fazer a revolução sem bilheteria ? Essa foi o grande erro do Cinema Novo, o pensamento deu certo, na hora de executar, nem tanto.
Escrito por Matheus Trunk às 05h40
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