Sérgio Andrade conseguiu esse fantástico texto para a Zingu! de fevereiro.
O texto é tão genial, que eu vou publicá-lo na nossa Zingu! como ainda deixar
ele aqui no blog também. Serjão que me desculpe, a tentação foi muito forte....
O Estado de São Paulo – 29/05/77
EXCITAÇÃO – Nacional (São Paulo), 30 de maio de 1977, 90 minutos. Produção: MASP Filmes. Distribuição: Progron. Produtor: M. Augusto Cervantes. Direção: Jean Garrett. Roteiro, argumento: Jean Garrett, Ody Fraga. Fotografia: Carlos Reichenbach Filho. Música: Beto Strada. Montagem: Walter Vani. Em Eastmancolor. Elenco: Kate Hansen, Flávio Galvão, Betty Saddy, Zilda Mayo, João Paulo, Carlos Meni e Liana Duval, Abrahão Farc. Amanhã, nos Cines Marrocos, Augustus, Gazetinha-Centro e circuito.
Por Rubem Biáfora
Longe da bitola do estrelismo narcísico-comercial de David Cardoso (“A Ilha do Desejo”, “Amadas e Violentadas”, “Possuídas Pelo Pecado”, obras que no entanto facultaram sua revelação e os indícios de uma tendência plástico-formal para situações efeitos sado-eróticos-masoquistas), com “Excitação” o jovem diretor Jean Garrett surpreende até mesmo àqueles destituídos de preconceitos “culturais” que conseguiram aquilatar de suas potencialidades em melhores circunstâncias. Pois elas se impõem neste novo filme, o mais profícuo e caprichado que M. Augusto Cervantes produziu até hoje. Não que inexistam assimetrias, contradições e fortes lapsos de entrecho, com situações e personagens desnecessariamente tomados de empréstimo a muitas obras anteriores (“Suspeita”, “À Meia luz”, “A Teia de Renda Negra”, e até “A Sétima Vitima”, de Val Lewton). Mas é quase a primeira vez que algo saído da Rua do Triunfo revela um gosto e uma capacidade de manipulação, um germe de linguagem para realizações de diverso teor: unidade, plasticidade, imaginação cinemática. Outro tento é a belíssima fotografia colorida de Carlos Reichenbach, toda em tons neutros e esmaecidos (como se fosse concebida para a Kim Novak de “Uma Vez por Semana” ou a Dominique Sanda de “Une Femme Douce”), bem dosada, atmosférica – uma das melhores que nosso cinema apresentou em muito tempo. Sugestiva também a escolha de locais “marinhos” e o emprego das roupas (ponto sempre ridículo nas fitas nacionais do atual e falso “boom” comercial). Inesperadamente efetivo o “modernoso” comentário musical de Beto Strada. E só dignas de elogios as atuações de Kate Hansen com sua entrega e Betty Saddy com seu “charme” carioca, ainda que seja de lamentar as poucas oportunidades a Liana Duval e Abrahão Farc. Não há “engagement”, falta certamente o grande entrecho, mas é flagrante uma capacidade de vir à tona para as exigências visuais expressivas e atmosféricas do cinema. E isso é muito.
Escrito por Matheus Trunk às 19h14
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HOMENAGEM A CARLOS MOTTA (1932-2007)

O tempo não é generoso com o cinema brasileiro, e especialmente paulista. Sérgio Andrade, amigão colaborador da Zingu! tinha me dado a idéia de entrevistarmos o Motta. Puxa, eu fiquei interessado. Liguei pro Alfredinho Stenrnheim há uns dois, três meses e ele me falou: “Ele está meio mal”. E me acontece uma coisa dessas. Eu só fiquei sabendo da morte do Motta pelo site do Rubens Ewald Filho. Um dos maiores nomes da crítica paulista, foi herdeiro legítimo do mestre Rubem Biáfora, uma espécie de seu escudeiro. Entrevistei o Padre, que foi eletricista no filme do Biáfora (“A Casa das Tentações”) e este me falou: “Tinha um baixinho de óculos, que carregava uma mala. E ele estava sempre do lado do Biáfora”. Pois eu tenho certeza, que agora Motta, está ao lado de seu mestre, de Egídio Eccio, Walter Hugo Khouri e tantos outros que defenderam o cinema paulista com unhas e dentes. Nossa pequena, singela homenagem a um homem que amou o nosso cinema, e foi o mais fiel dos herdeiros de Rubem Biáfora. Lamento profundamente, outra pessoa que infelizmente não poderei conhecer. Nenhum jornal (Folha ou Estado) falou da morte dele. Porque me parece, que ninguém sabe quem é Carlos Motta ou Rubem Biáfora. Como não sabem quem são, esses babacas. E falando em crítica, eu fiquei chocado com a edição da revista PAISÁ que é uma revista inteligente e feita por gente séria, falar mal do mestre Biáfora desse jeito. Ainda mais o Juliano Tosi, pessoa que respeito profundamente e qual sou praticamente amigo pessoal. Continuo os admirando e sendo amigo, mas quero falar a eles e a todos que eu enxergo cinema e vida duma maneira um pouco diferente, pode ser uma forma até mais paulista, não a toa embaixo da ZINGU! está escrito: CINEMA. ESPECIALMENTE O PAULISTA. Que Deus receba Motta de braços abertos, como eu o receberia em uma futura entrevista. Foi-se Jece, agora vai se Motta, quem vai ficar aqui ?
http://www.cinemacomrubens.com.br/ref.aspx?nc=home
http://blog.estadao.com.br/blog/merten/?title=motta&more=1&c=1&tb=1&pb=1
Homenagem maior na Zingu! de fevereiro: aguardem !!!!
Escrito por Matheus Trunk às 23h20
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Gigante da hora: JOSÉ MOJICA MARINS
Nossos parabéns pelo mestre Mojica estar terminando mais
um filme. Eu tenho sérios problemas com classes intelectuais, na
verdade os metidos a isso. Leia o que Mojica disse em entrevista
a revista SEXY de janeiro: "Me estudem enquanto tenho vida, porque
depois não dá mais". Preciso dizer mais alguma coisa ????

Babaca da hora: Diogo Mainardi
Sem justificativas. Afinal pra que ? Qualquer pessoa que reflete sobre o mundo,
sabe que esse cara não passa de um oportunista e babaca.
Os fãs dele, são iludidas por uma pessoa medíocre, infelizmente.
Um abraços aos amigos e feliz 2007 !
Escrito por Matheus Trunk às 00h11
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